Opinião

Paradoxos glocais e desigualdades

1. Guerras

Trump não contou com os aumentos rápidos do preço do petróleo, com os nervos nas bolsas e com a reação do Irão. Agora, como na guerra do Iraque, o motivo e o pretexto eram falsos. Contudo, as más consequências afetam milhões de pessoas. Sendo abjeto a teocracia do Irão, as ditaduras de Putin e Maduro, as contradições de Trump também são uma dolorosa realidade. Nunca esteve preocupado com a democracia na Venezuela. no Irão ou onde quer que seja. Só lhe interessa o petróleo e até já suspendeu as sanções a Putin. Insondável contradição... Trump é incerteza e roleta russa permanentes. O nó górdio é o estreito de Ormuz..... Em breve teremos maior inflação e todos os seus corolários, subida das taxas de juro (rendas a subir nos empréstimos à habitação) e forte possibilidade de ressurgimento de ações terroristas.


2. Portugal “retangular”

Os novos preços dos combustíveis têm margens excessivas. Na Espanha são mais baratos. A garrafa de gás, a mais consumida nos Açores e na maioria do país onde não chega o gás canalizado, devia ter preço tabelado, como aconteceu na pandemia. Entretanto, grandes empresas como a GALP, EDP e REN tiveram mais de 2,5 mil milhões de euros de lucros em 2025.... Outrossim, os principais bancos registaram lucros de mais de 5 mil milhões de euros em 2025. Pagam juros aos depositantes abaixo da média europeia, mas, nos empréstimos à habitação têm taxas elevadas e cobram excessos de comissões. Ingredientes “perfeitos” para aumento das desigualdades. Acresce o IRC mais baixo para empresas rentistas e grandes superfícies comerciais, sem nenhuma exigência do Estado como reinvestimento, inovação ou melhores salários para os trabalhadores.

Para fechar o ciclo da desigualdade, resta a impotência da Europa e dos Países para taxar as grandes fortunas depositadas em offshores. Assim, além desta máquina infernal geradora de desigualdades, no caso da cobardia de regular os mercados financeiros offshorem resulta que a Europa se “rouba a si própria”. Paradoxos glocais e desigualdades locais.

Enquanto este buraco negro se aprofunda, falta ao Estado receita para as funções sociais básicas e, quando a crise chegar em força, vão dizer que é preciso contenção, sempre dos mesmos.

Porém, se a situação financeira está equilibrada não pode haver grandes melhorias para as pessoas porque é preciso prevenir eventuais crises futuras. No fim, sacrificam-se "os do costume", resultando num grande descontentamento e descrédito no regime democrático, ao ponto de muitos se fascinarem com extremismos que seriam sempre piores, como a História o comprova. Paradoxos e falta de coragem promovem e aprofundam desigualdades.

3. E nos Açores?

Em 19 fevereiro do mês passado, Bolieiro disse que a proposta da região sobre subsídio de mobilidade defendia os interesse dos açorianos! Mas, afinal o governo de Montenegro, que "não lhe passa cartão", piorou a parte operacional e financeira face ao modelo anterior. Copiem o modelo canarino! Hoje, há petições contra as novas regras, os agentes de viagens sentem-se defraudados, os açorianos ainda mais e já houve redução de 30% nas viagens Açores - Lisboa e Porto. As loas de Bolieiro a Montenegro foram mais um capitular de uma liderança cada vez mais fraca. incompetente e que prejudica os Açores. Lei de Finanças Regionais passou para as calendas "montenegrinas"! Numa aceção "churchilliana", Bolieiro é uma espécie de diplomata porque pensa duas vezes antes de não dizer nada...Este é um governo que não inova, mas não é renovado, não paga e só adia. Há um sentimento global de desânimo, desmotivação no trabalho, falta de horizontes realistas. Os cidadãos conscientes estão muito preocupados porque veem a Região a definhar, muitas pessoas a "estupidificar", indicadores socioeconómicos sempre a piorar, a Região à beira de um resgate.... e um inquilino de Santana fraco e incapaz de dar a volta aos problemas. A este realismo impiedoso contrapõem um faz de conta com pequenos anúncios gongóricos e vazios. Paradoxos glocais e de-sigualdades.

Quo Vadis Açores!